Saiba Mais


ago 24

Relacionamentos abusivos: você sabe o que é?

Provavelmente você conhece alguém que está ou passou por um

Relacionamento abusivo

Não é amor quando te faz sofrer!

Quando falamos em relacionamento abusivo, não estamos se referindo somente de abuso e violência física ou sexual. Também não estamos falando só de relacionamentos amorosos. E também não estamos falando que a vítima é sempre uma mulher. Um relacionamento abusivo pode acontecer com qualquer um. Mas, na maior parte dos casos, a vítima é uma mulher dentro de um relacionamento amoroso e é mais sobre isso que vamos falar.

Então, o que  define um relacionamento como abusivo? A relação abusiva é caracterizada pelo poder em excesso de uma pessoa (abusador) sobre a outra (vítima), ou seja, as pessoas na relação não são iguais. E isso pode aparacer de várias maneiras, desde uma crítica com a roupa que usa, controlar onde vai e com quem, impedir de trabalhar, até chegar na violência física e sexual.

Esses abusos mais sutis são mais difíceis da vítima perceber e a forma como o abusador lida com a situação faz com que a vítima se questione ou naturalize as situações. É comum  no relacionamento frases como “Você é louca/o”, “Isso é coisa da sua cabeça”, “Você está exagerando” e, com isso, a autoestima e autoconfiança da vítima vão diminuindo, além do controle com o mundo fora do relacionamento o que faz com que o círculo social da vítima também diminua e ela se sente sozinha e isolada.

Outro problema é que, ainda hoje, existe uma romantização de algumas atitudes abusivas nos relacionamentos e que continuam sendo reforçadas pela mídia e sociedade. Por exemplo, as crises de ciúme são vistas como grandes provas de amor, com o tanto com que a pessoa se importa com a outra.

Cabe aqui também lembrar que existem várias formas de violência, além da física e sexual que são extremas.  A outras formas de violência  são: moral (injúria, calúnia e difamação da vítima), patrimonial (agressor destrói e/ou oculta bens e documentos, impedir de  trabalhar, reter dinheiro), psicológica (qualquer ação que cause prejuízo psicológico, como humilhar, insultar, perseguir e isolar).

Não é por acaso que a violência doméstica contra a mulher tem alto índice no país. Segundo dados o Brasil tem:

  • 5 espancamentos a cada 2 minutos (Fundação Perseu Abramo /2010)
  • 1 estupro a cada 11 minutos (9º Anuário de Segurança Pública/2015)
  • 1 feminicídio a cada 90 minutos  (Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil Ipra/2013)

Por causa desses altos índices, existe uma lei específica sobre violência doméstica, a Lei Maria da Penha (Lei Nº11.340 ), além da campanha “Agosto Lilás”, para alertar  e combater a violência contra mulher.

Saiba mais: Agosto Lilás

O relacionamento abusivo também tem uma característica cíclica.  A psicóloga Lenore Walker notou que são comuns 3 fases: tensão, explosão e lua de mel. A tensão é quando os abuso não físico aparecem, como humilhações, controle, crises e o abusador faz com que a vítima se sinta culpada pelo estresse e tensão do relacionamento. A segunda fase, a explosão, é o auge do abuso, as ameaças se concretizam e a violência física e sexual se tornam reais, a vítima costuma procurar ajuda nesse momento. Por fim, vem a lua de mel quando o abusador volta e se mostra arrependido, dizendo que vai mudar e acontece a reconciliação, existe um momento de harmonia. Em seguida volta para a fase de tensão e assim sucessivamente.

E como, normalmente, os abusos começam mais sutis, nem sempre a vítima percebe o início dos abusos e os limites do que é normal e aceitável se perdem na rotina. Por isso, as pessoas em volta costumam perceber antes os sinais dos abusos. E uma das melhores formas de ajudar é estar e continuar presente, oferecer escuta e apoio sem julgamentos pois a vítima costuma se sentir culpada e com vergonha da situação, e auxiliar com a procura de ajuda  para sair da situação, por exemplo mostrar como fazer uma denúncia.

 

Pandemia e violência doméstica

Com a pandemia, estamos passando mais tempo em casa e, infelizmente, para muitas mulheres isso é sinônimo de conviver mais tempo com seu agressor. Além do momento ser mais estressante causando mais tensão e explosões de violência. O estado de São Paulo registrou um aumento de mais de 40% de denúncias de violência contra mulher e a própria OMS (Organização Mundial da Saúde) e a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhecem o problema do aumento da violência doméstica por causa do isolamento social.

Assista o vídeo com a psicóloga Carolina Leite para saber mais sobre Violência Doméstica

 

Psicoterapia como auxílio

A psicoterapia  e o apoio psicológico ajudam com fortalecimento da autoestima e da autoconfiança para enfrentar os obstáculos em sair  e se recuperar de um relacionamento abusivo e da violência doméstica. Não é mágica mas é um processo, que de pouquinho em pouquinho vai ajudando na construção do amor próprio e de relacionamentos mais saudáveis.

Não tenha medo de pedir ajuda!

Denuncie, ligue 180

-> Boletim Ocorrência Online <-

FacebookTwitterGoogle+Email